Paula Aoki | Fonoaudióloga

Afasia



AFASIA (PERDA DA FALA)
Afasia é a perda da linguagem causada por lesão no sistema nervoso central que, na maior parte das vezes, ocorre do lado esquerdo do cérebro.
Os quadros de afasia são muito variados. Vão desde a dificuldade de articular bem as palavras até a perda total da linguagem oral e da capacidade de traduzir conceitos em palavras e de simbolização.

A afasia não se manifesta apenas na linguagem oral. Pode manifestar-se também na escrita, porque os pacientes perderam a capacidade de simbolizar, de traduzir o comando cerebral para a linguagem escrita. Em alguns casos, são capazes de escrever sob ditado ou de copiar, mas incapazes de ler o que escreveram. Em outros, trocam ou omitem letras, às vezes, as vogais e as consoantes.

Principais causas
Tumores;
AVC (ou derrame);
Doenças infecciosas (como a meningite);
Doenças degenerativas (como a esclerose múltipla ou as demências);
Acidentes com traumatismo crânio encefálico;
Tensão metabólica (intoxicações);
Epilepsia;

Diagnóstico:
O diagnóstico da afasia pressupõe avaliar a capacidade de compreensão e de expressão do paciente. É sempre importante começar pela avaliação sensorial, uma vez que a deficiência auditiva pode interferir no processo de comunicação. Nos casos de hemiplegia provocada por acidentes vasculares cerebrais, é preciso ter certeza de que apenas um lado está comprometido, antes de pedir que a pessoa movimente o outro braço para mostrar que entende o que é pedido.

Tratamento:
O tratamento da afasia é feito pela estimulação da linguagem e é planejado especificamente para cada caso. Conhecendo as condições exatas em que se encontra o paciente, o terapeuta irá construir pontes entre as habilidades que permaneceram e as que foram perdidas, valendo-se da plasticidade do sistema nervoso central. A plasticidade neuronal permite estabelecer novas ligações entre os neurônios. No tratamento da afasia, a estimulação controlada, auditiva e visual, tem por objetivo ajudar a pessoa a construir cadeias para ultrapassar os déficits provocados pela lesão, de modo a tornar as palavras novamente disponíveis.

Dicas para uso diário com pacientes que apresentam afasia (alteração na fala e linguagem por dano cerebral):
Mantenha atitudes positivas e valorize qualquer ato comunicativo: gestos, olhares, expressões faciais.

Fique sempre de frente para a pessoa para manter o contato visual. Isso ajuda no despertar da atenção além de dar o apoio visual através da leitura labial, motivando ao paciente a tentar imitá-lo.

Utilize frases e perguntas simples e curtas e quando possível utilize gestos e objetos concretos para ajudar na comunicação. Também utilize desenhos, materiais escritos, álbum de fotografias a fim de auxiliar na comunicação.

Quando estiver conversando, utilizar um assunto de cada vez e não mudar rapidamente deste assunto. Durante a conversa, fale devagar e bem articulado, com naturalidade, sem elevar o tom de voz.

Tenha paciência aguardando o tempo de resposta do indivíduo que pode ser mais lento e não exija respostas imediatas. Não fale por ele ou termine frases pelo paciente. Se não foi possível compreendê-lo, incentive-o a tentar uma nova forma de comunicar-se.

Estimule a realizar o que quer por si mesmo e deixe-o livre para participar das atividades que desejar.

Não cobre dele palavras corretas e sim ofereça o modelo adequado para ele. Não critique e sim estimule-o.

A falta de iniciativa e de motivação não devem ser confundidos com preguiça. Respeite o tempo dele. Tente evitar situações que lhe cause frustrações. Elogie seus progressos

Evite ambientes muito barulhentos, pois dificulta o processo de comunicação.

Ofereça a ele atividades que lhe proporcionem prazer e procure frequentar lugares que eram de sua rotina. Trate o paciente de acordo com a sua idade cronológica.

Permita que realize atividades que contribuam para a auto- estima: fazer as unhas, cortar o cabelo, fazer a barba entre outras. Solicite sua participação nas tarefas de vida diária ou nas atividades domésticas para que ele se sinta útil.

Ofereça trabalhos manuais, livros, revistas, e jornais para a leitura. Sempre que possível faça-o ouvir músicas. Cante com ele canções que fazem parte de sua história.

Deixe sempre próximo a ele, lápis, papel, cola, tesoura, para incentivar sua imaginação e auxiliar no processo de comunicação.

Recomendações

É sempre possível melhorar a afasia, embora o nível dos resultados possa depender de alguns fatores como extensão da lesão, motivação, idade e de suas condições gerais de saúde. O portador de afasia deve ser estimulado para fazer um tratamento que o ajude a reabilitar as capacidades comprometidas, sejam elas de fala, escrita ou compreensão.

Fga. Paula Aoki
CRFa.8264-PR É fonoaudióloga clínica, formada pela Universidade do Norte do Paraná (UNOPAR) ano de 2002, atuando parte clínica desde 2002.
 
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